Tudo Sobre a SII

A Síndrome do Intestino Irritável, também conhecida como Síndrome do Cólon Irritável, é uma desordem gastrointestinal funcional que afeta 10 a 25% das pessoas em todo o mundo1. É duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.

Um tema sério

Esta síndrome causa dor, desconforto abdominal e alterações dos hábitos intestinais. Isto pode não só ser frustrante, como também afetar seriamente a qualidade de vida e o bem-estar psicológico2. Embora as piadas sobre a casa de banho possam até fazer rir os mais sérios, para muitos, não são motivo de riso.

O que diz a Ciência

Embora as causas da SII não sejam muito claras, os cientistas acham que podem estar relacionadas com desequilíbrio na microbiota, inflamação de baixo grau, hipersensibilidade visceral, genética ou alterações no eixo intestino-cérebro3.

Sintomas

Todas as pessoas que têm SII sentem o mesmo?

Se falamos de sintomas, não. A sintomatologia pode variar bastante de pessoa para pessoa, havendo 4 classificações essenciais4, segundo os Critérios de Roma IV

Porém, os sintomas mais comuns incluem:

  • dor abdominal
  • distensão abdominal
  • gases
  • diarreia ou obstipação, ou ambos
  • mudança na consistência das fezes

Se sofre destes sintomas com frequência, é possível que tenha SII.

Ainda tem dúvidas ou precisa de aconselhamento? Procure aconselhamento com o seu médico ou com o seu farmacêutico. Nos pontos Ezfy, os farmacêuticos podem ajudar a identificar os seus sintomas para chegar mais rapidamente aos cuidados de saúde adequados!

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Há uma causa-efeito?

As causas da SII não foram ainda descobertas. No entanto, cientistas demonstraram que o risco de desenvolver SII é cinco vezes maior após uma infeção bacteriana. Outra suposição é que exista uma possível interrupção na comunicação entre o cérebro e o intestino em conjunto com um desequilíbrio da microbiota intestinal. Na maior parte dos casos, observou-se um desequilíbrio do ecossistema microbiano dos doentes.5

Acredita-se que essa perda de diversidade seja uma das causas dos problemas de motilidade intestinal: o trânsito intestinal é retardado, a barreira intestinal modificada e desenvolve-se uma ligeira inflamação.
É por essa razão, que uma abordagem terapêutica baseada no reequilíbrio da flora intestinal com probióticos parece melhorar os sintomas da SII.6

Como saber se tenho SII?

Responda ao nosso quiz

A SII apresenta uma enorme diversidade de sintomas e nem todos os pacientes que sofrem de SII apresentam os mesmos. Para além disso os sintomas podem variar ao longo da vida. Não tem a certeza de que tem Síndrome do Intestino Irritável? Criámos um pequeno questionário baseado nos Critérios de Roma IV para ajudá-lo a a descobrir se é apenas indigestão… ou se pode ser SII.

Procure aconselhamento

Para obter um diagnóstico final de SII consulte o seu médico. No entanto, pode também procurar aconselhamento com o seu farmacêutico.

Com o objetivo de ajudar no diagnóstico das doenças crónicas e encurtar o tempo desde o aparecimento dos sintomas até ao diagnóstico, a Ezfy desenvolveu um programa de apoio às pessoas com doenças crónicas em mais de 100 farmácias em Portugal. Nesses pontos Ezfy, os farmacêuticos ajudá-lo-ão a identificar os seus sintomas para chegar mais rapidamente aos cuidados de saúde adequados!

Comunique com os outros

Como pode imaginar, poucas pessoas falam sobre os sintomas da SII abertamente. Porém se precisa de conselhos ou ajuda, veio ao sítio certo! Na nossa página comunidade poderá partilhar as suas experiências e ver as de outras pessoas com SII.

Os Critérios de Roma IV 

A síndrome do intestino irritável não pode ser detectada por meio de exames médicos (exames de sangue, imagiologia médica, etc.). É por isso que a fundação de Roma, formada por médicos especialistas, desenvolveu o diagnóstico Roma IV.4,8

Os critérios de Roma IV que permitem estabelecer o diagnóstico da síndrome do intestino irritável são os seguintes:

  • dor abdominal recorrente
  • que ocorra em média pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses

Associada a dois ou mais dos seguintes:

  • alívio da dor com defecação
  • alteração na frequência das fezes
  • alteração da forma (aparência) das fezes.

Escala de Bristol – Vamos falar de cocó?

Há quatro principais sub-tipos de SII4, e o seu deve ser determinado quando não estiver a tomar qualquer medicação para tratamento dos sintomas intestinais.

  • SII-O (IBS-C) – com predominância de obstipação
  • SII-D (IBS-D) – com predominância de diarreia
  • SII-M (IBS-M) – com hábitos intestinais mistos
  • SII-U (IBS-U) – pacientes que têm sintomas da SII, mas cujos hábitos intestinais não podem ser categorizado com precisão em 1 dos 3 grupos acima.

Há também quem tenha SII pós-infeciosa (os sintomas surgem após uma infeção do trato gastrointestinal) e SII pós-diverticulite (os sintomas ocorrem após o tratamento de uma diverticulite).

Para ajudar no diagnóstico, é usada a Escala de Bristol, destinada a classificar a forma das fezes humanas em sete categorias.7

Tipo 1: Fezes duras, com protuberâncias, como nozes e difíceis de eliminar. (associadas a obstipação)

Tipo 2: Em forma de salsicha mas granulosas e irregulares. (associadas a obstipação)

Tipo 3: Fezes em forma de salsicha com fissuras em sua superfície (normal).

Tipo 4: Fezes em forma de salsicha, macio e mais liso do que o tipo 3 (normal).

Tipo 5: Fezes fragmentadas moles e lisas, que não envolvem esforço e tendem a quebrar. (trânsito intestinal acelerado)

Tipo 6: Fezes pastosas ou semi-líquidas com alguns pedaços moles (diarreia)

Tipo 7: Fezes líquidas, sem pedaços sólido (diarreia)

Prepare-se para analisar e falar de cocó com o seu médico – ajudará no diagnóstico e é importante para ter consciência da sua saúde intestinal.

Estou com vergonha… O que vai acontecer na consulta com o médico? 

Sinceridade acima de tudo

Não se preocupe! Não só se trata de um problema bastante comum, como os médicos já viram (e ouviram) de tudo. Se eles não se sentem envergonhados, também não há razão para se sentir. E como a SII não se revela nos testes de rotina, se tem problemas intestinais é importante falar sobre eles. Portanto, quando o médico lhe mostrar a escala de Bristol , não se preocupe – é normal. E os médicos estão habituados a este tipo de conversa. Explique o que sente o melhor que conseguir e não tenha medo de fazer perguntas se tiver dúvidas.

Diagnóstico certo

É muito importante descartar qualquer outra doença que possa estar a causar problemas antes de fazer o diagnóstico final. Por exemplo, o seu médico pode fazer testes para despistar doença celíaca antes de sugerir um tratamento. É normal que lhe sejam pedidas várias análises ao sangue e até às fezes, e que lhe sejam colocadas questões para auferir o seu histórico, entre outras coisas. A colonoscopia é menos comum, mas pode ser pedida para despiste de outras causas.

Diário alimentar

O médico fará o diagnóstico com base nos seus sintomas, historial médico e familiar. Para ajudá-lo a entender melhor o seu problema, é muito útil levar um diário sobre a sua alimentação, estado de espírito e sintomas referente às semanas anteriores. Aqui pede-se a maior honestidade e franqueza possíveis – sim, isso significa tomar nota de TODAS as coisas que comeu, bebeu e sentiu, mesmo que a/o envergonhe – para ajudar o seu médico a fazer o diagnóstico correto

É importante que diga ao seu médico se tiver outros sintomas para além de algum dos que mencionamos, uma vez que pode ser sinal de um outro problema. Alguns outros sintomas podem ser: dor contínua, localização da dor, sintomas nocturnos, febre, perda de peso não intencional, sangue nas fezes. Tudo o que sentir e observar fora do normal é digno de nota! Aponte tudo e leve para a consulta.

Ok. Tenho o meu diagnóstico. E agora?

Planeie

O tratamento da SII, por agora, passa por gerir os sintomas. Ainda não existe uma ‘cura’, mas as crises podem ir-se resolvendo sozinhas ao longo do tempo ou com a ajuda de um plano adequado. O seu médico pode ajudar a optar por uma variedade de soluções, como seguir uma dieta orientada por um nutricionista, tomar probióticos ou medicamentos, fazer exercício ou tentar abordagens psicológicas. Todas estas opções já provaram ser úteis na redução das crises da SII ou mesmo a evitá-las.9

Existe a probabilidade de que alguns sintomas persistam, mas não que piorem, e há até quem consiga estabilizar e ter uma vida perfeitamente normal. 

Irá encontrar outras pessoas que sentem e já passaram pelo mesmo, especialmente na fase de aprendizagem (espreite a página Comunidade). Uma coisa que todas acabam por aprender é que, quer tenham um caminho mais curto ou mais longo, todos têm a possibilidade de reduzir os sintomas e viver melhor com esta síndrome. Em alguns aspectos, depois de perceber que mudanças podem ajudar no seu caso específico, é provável que viva de forma mais saudável e se conheça melhor do que pessoas que não têm SII. Está tudo no gut feeling – pessoas com SII acabam por ganhar melhor ouvido para os seus intestinos.

Tratar a SII

O médico poderá recomendar uma série de tratamentos e pequenas alterações do estilo de vida que poderão ajudar em cada caso específico. Isto significa que o que resulta com a sua amiga Maria, pode não resultar necessariamente consigo. 

Alguns dos tratamentos:

Fazer as refeições em horários regulares, ingestão de líquidos e actividade física, podem ter benefícios gerais, mas não está comprovada a sua influência directa na melhoria dos sintomas da SII.

No entanto, considerando que o intestino e o cérebro têm uma ligação directa e bilateral, podemos considerar que o exercício ou a meditação, por exemplo, uma vez que ajudam a reduzir os níveis de ansiedade e stress, podem, indirectamente, ajudar na redução dos sintomas da SII.9

Apesar de a dieta ser uma das ferramentas mais usadas, a realidade é que é preciso ter cuidado com esta opção. Se esta escolha não for acompanhada por um nutricionista, pode levar a dietas nutricionalmente inadequadas ou ingestão excessiva de determinados alimentos.

Probióticos

A palavra probiótico tem origem no Latim e no Grego, e significa “Pró-vida”. São “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, beneficiam a saúde do hospedeiro” (definição da OMS). A noção de probiótico desenvolveu-se com Ilya Ilitch Metchnikov, Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908 que postulou no mesmo ano que a longevidade de certas populações da Bulgária estaria ligada à absorção de produtos fermentados que teria o efeito de manter um equilíbrio adequado entre a flora digestiva patogénica e benéfica.11

O papel dos probióticos na SII

A causa da SII sendo geralmente relacionada com um desequilíbrio da microbiota intestinal (ou flora intestinal, como era antigamente conhecida), os probióticos, podem desempenhar um papel importante na recuperação da microbiota intestinal e na diminuição dos sintomas.

Poderá encontrar probióticos em alguns alimentos ou em medicamentos e suplementos alimentares. Porém como existem milhares de microrganismos diferentes, nem todos os probióticos terão um efeito benéfico para a SII.

O Bifidobacterium longum 35624® apresenta a melhor evidência relativamente à eficácia na SII. 2 Vários estudos científicos2 demonstraram que esta estirpe é eficaz na redução significativa dos sintomas da SII: dor abdominal/desconforto, flatulência e distensão abdominal e problemas do trânsito intestinal.

Precisa de conselhos adicionais? Converse com o seu médico ou farmacêutico sobre as suas opções. Nos pontos Ezfy, os farmacêuticos conhecem bem a SII e poderão ajudá-lo a encontrar a melhor solução para o seu problema.

A minha SII surgiu há 7 anos, após uma gastroenterite aguda. Foi um ano complicado mas pude recuperar e controlar os sintomas com o apoio de uma nutricionista especializada na dieta low FODMAP. Depois veio a gravidez e, tirando algumas cólicas no primeiro mês, correu tudo bastante bem. Para mim, estes 9 meses foram um momento de calma a nível de SII. Viver com esta doença nem sempre é fácil mas com o acompanhamento certo, a alimentação adaptada e a ajuda pontual de probióticos, conseguimos gerir bem as crises e aumentar a nossa qualidade de vida.

Joana Oliveira, autora do blog My Gut Feeling

Aos 20 anos, somei à Doença de Crohn a SII. Como a sintomatologia é semelhante, o diagnóstico foi mais complexo. Adotei a dieta low FODMAP, mas os sintomas não passaram por completo - grande parte das minhas crises estavam associadas à ansiedade e ao stress. Procurei ajuda psicológica e comecei a melhorar. Hoje sei que a SII requer uma abordagem multidisciplinar: dormir 7h-8h por dia, fazer a dieta, com uma alimentação saudável e variada dentro do possível, controlar o stress e a ansiedade e praticar exercício físico.

Inês Carvalho, do @lowfodmapt

Descubra mais sobre esta Síndrome com a nutricionista Margarida Beja

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Terei Síndrome do Intestino Irritável?

Alguma vez pensou demoradamente no que ia pedir num primeiro encontro, com receio de que a sua decisão pudesse levar a uma urgente (e inconveniente) ida à casa de banho? Procura sempre a casa de banho de qualquer espaço público assim que entra, como um espião altamente especializado? Já gastou mais em papel higiénico do que em artigos de “higiene pessoal”?

Dificuldades com a digestão são mais comuns do que possa pensar. Apesar de patologias como a SII serem frustrantes, não são definitivamente algo pelo qual deva sentir vergonha.
Começar

Fase 1

Tem, com frequência, dor ou desconforto abdominal que alivia após evacuar?

Sofre com frequência dor abdominal que provoca uma grande urgência em evacuar?

Os sintomas acima descritos duram há mais de 3 meses?

Costuma interromper as suas atividades diárias devido aos sintomas acima descritos?

Próxima pergunta

É pouco provável que seja Síndrome do Intestino Irritável. No entanto, se os sintomas persistirem ou piorarem, consulte um profissional de saúde.

Fase 2

Sente regularmente a sua barriga inchada ou distendida (pense numa gravidez de 6 meses)?

Considera os seus movimentos intestinais “irregulares” (muito frequentes ou pouco frequentes, diarreia ou obstipação)?

As suas fezes têm uma forma anormal (formato, textura, consistência)?

Tem gases com muita frequência?

Tem dificuldade em evacuar (esforço, urgência ou dor)?

Concluir

De acordo com os critérios de Roma IV, é provável que tenha SII. Aconselhamos que consulte um profissional de saúde.

Saiba mais sobre o que dizer na consulta e os tratamentos existentes para gerir os seus sintomas: