Para quem é a dieta baixa em FODMAPs?

Para quem é a dieta baixa em FODMAPs?

É importante começar por esclarecer algo que, de tanto ser repetido, já parece ter um lugar no pódio dos mitos. Não porque esta dieta não seja importante e tenha resultados — porque os tem! Mas porque existe a crença de que se trata de algo que, de uma forma geral, pode ser a dieta do intestino ou resolver todo e qualquer sintoma gastrointestinal que associe à alimentação.

Mas não é bem assim.

A dieta baixa em FODMAPs foi desenvolvida para melhorar os sintomas de pessoas com diagnóstico de síndrome do intestino irritável (SII), mas parece ser interessante também noutras condições do eixo intestino-cérebro, nas quais o inchaço abdominal funcional e outros sintomas estão presentes. Também é muitas vezes referida no caso da doença inflamatória intestinal, mas, neste contexto, apenas é sugerida em casos de remissão cuja sintomatologia se enquadre na síndrome do intestino irritável, algo que pode estar presente mesmo existindo outro diagnóstico.

O que são FODMAPs?

Pela tradução, percebemos que estes se referem a fermentáveis (F), oligossacarídeos (O), dissacarídeos (D), monossacarídeos (M) e polióis (P), ou seja, hidratos de carbono que têm um papel importante no nosso intestino, servindo de substrato e alimento aos microrganismos da microbiota intestinal. No entanto, em situações como a síndrome do intestino irritável (SII), podem originar sintomas, dependendo da quantidade consumida e do tipo de FODMAP. Mas quais? O tipo e a quantidade que melhor tolera é algo que a implementação da dieta baixa em FODMAPs permite averiguar.

Porque é que originam sintomas?

Existem vários tipos de FODMAPs e estes dão origem a sintomas por mecanismos mais ou menos semelhantes. Em comum, têm o facto de serem moléculas pequenas que, ao não serem absorvidas no intestino delgado, passam rapidamente para o intestino grosso. Esta passagem desencadeia uma série de fenómenos responsáveis pelo aparecimento dos sintomas.

Os oligossacarídeos incluem principalmente os frutanos e os galacto-oligossacarídeos (GOS). Estes compostos estão presentes em alimentos como alho, cebola, trigo, centeio, cevada e leguminosas, como feijão, lentilhas e grão-de-bico. O organismo humano não possui enzimas capazes de digerir completamente estes hidratos de carbono, pelo que chegam ao intestino grosso, onde são fermentados pelas bactérias.

Os dissacarídeos, no contexto dos FODMAPs, referem-se principalmente à lactose. A lactose encontra-se em alimentos lácteos, como leite, iogurte, gelado, natas e alguns queijos frescos, como ricota ou cottage. Quando a atividade da enzima lactase é reduzida, a lactose não é adequadamente digerida e pode causar desconforto gastrointestinal.

Os monossacarídeos referem-se principalmente à frutose quando está presente em quantidade superior à da glicose no alimento. Nesses casos, a absorção intestinal pode ser limitada. Exemplos de fontes incluem mel, maçã, pera, manga e produtos que contêm xarope de milho rico em frutose.

Por fim, os polióis, também chamados álcoois de açúcar, incluem substâncias como sorbitol, manitol, xilitol e maltitol. Podem ser encontrados naturalmente em alguns alimentos, como ameixas, couve-flor e cogumelos, além de estarem presentes em produtos industrializados, como pastilhas elásticas e doces sem açúcar. Estes compostos são absorvidos lentamente e podem ter efeito osmótico no intestino, captando água e dando origem, muitas vezes, a fezes moles ou diarreia.

Será esta dieta para si?

Talvez. Se tem um diagnóstico concreto e já fez várias alterações na alimentação e no estilo de vida, então pode beneficiar desta dieta com acompanhamento nutricional.

Isto é particularmente importante para garantir que faz esta dieta corretamente. Esta é composta por três fases: na primeira, fará uma restrição e reduzirá drasticamente o teor de FODMAPs na alimentação; na segunda, fará os testes de reintrodução de forma controlada e monitorizada; e, na fase final, perceberá que quantidades tolera e como pode manter uma alimentação completa, variada e sem deixar o prazer de lado.

Para quem é que esta dieta não está indicada?

Acima de tudo, mesmo que tenha síndrome do intestino irritável (SII), pode não ter indicação para fazer esta dieta, uma vez que o seu carácter restritivo pode fazer com que outras estratégias sejam consideradas, com menos impacto no dia a dia, mas com igual benefício.

Não deve ser seguida durante muito tempo, porque reduz drasticamente a diversidade de microrganismos da microbiota intestinal — algo que não é benéfico —, pode contribuir para o desenvolvimento de carências nutricionais e comprometer, muitas vezes, a relação que tem com a comida.

Nesta última nota, é importantíssimo ressalvar que esta dieta está totalmente contraindicada em pessoas que tenham, atualmente ou no passado, desenvolvido perturbações do comportamento alimentar.

Referências

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