Como gerir os sintomas no local de trabalho
O impacto dos sintomas e das perturbações gastrointestinais no local de trabalho não é uma questão exclusiva da experiência que vamos partilhando (ou não), nossa ou de alguém que conhecemos. Muitos investigadores têm estudado o assunto, pois só assim é possível compreender melhor o problema e lidar com esta realidade com a seriedade e a sensibilidade que exige.
No caso da SII, por exemplo, há relatos de pessoas que referem uma redução significativa dos níveis de produtividade no local de trabalho e a presença de sintomas é, inclusive, responsável por dias de ausência ao trabalho, tal é o impacto que estes podem ter.
Outras patologias do foro gastrointestinal, como a doença inflamatória do intestino, apresentam evidência semelhante e, por vezes, ainda mais marcada, devido à necessidade de internamento, à severidade da sintomatologia ou à necessidade de consultas médicas.
O que fazer?
Falar sobre os seus hábitos intestinais envolve um elevado grau de sensibilidade e intimidade, pelo que qualquer conversa em torno deste tema pode tornar-se desconfortável e gerar uma sensação de exposição da sua vida pessoal.
Tendo em conta o contexto em que trabalha, é importante refletir sobre que ajustes podem ser feitos:
- Reportar a situação à Medicina do Trabalho e às pessoas responsáveis pela gestão direta das suas funções. Isto poderá significar, por exemplo, maior discrição.
- Fazer pausas adicionais para ir à casa de banho.
- Ajustar o horário das refeições ou outras adaptações que considere necessárias para que se sinta mais confortável no seu dia a dia profissional.
- Estabelecer uma rotina predefinida também pode ajudar.
- Possibilidade de trabalhar em regime híbrido, quando possível.
É também importante transmitir que este assunto, dada a sua natureza, é estritamente confidencial. Por vezes, o desconforto em falar sobre o tema é tão grande que a possibilidade de outras pessoas tomarem conhecimento da situação pode, por si só, ser fonte de stress. Ainda que se espere sempre uma conduta profissional que respeite a sua privacidade, se sentir necessidade, pode mencionar explicitamente que pretende que essa confidencialidade seja garantida.
É bastante provável que alguém no seu local de trabalho esteja a passar — ou já tenha passado — por uma situação semelhante, ainda que isso raramente seja tema de conversa. É importante ter isto em mente, pois existe uma tendência natural para o isolamento perante este tipo de situação.
E se o trabalho estiver na raiz do problema?
O stress, a rotina, os horários, algo muito comum em trabalhadores por turnos, o ambiente em que trabalha e o próprio percurso que tem de fazer para chegar ao local de trabalho podem ter um impacto significativo nos seus níveis de stress e, consequentemente, nos seus sintomas gastrointestinais.
Aqui, seria irrealista dizer-lhe para procurar outro trabalho a não ser que tenha essa possibilidade e considere que é a melhor opção. No entanto, é importante que consiga identificar o que lhe causa desconforto, falar com alguém da sua confiança que o possa ajudar, partilhar o percurso para o trabalho, alterar horários, caso seja viável, pedir ajuda e delegar tarefas.
Acima de tudo, se perceber que nenhuma destas estratégias ajuda, pode recorrer a ajuda profissional para obter sugestões adaptadas ao seu problema e aos seus sintomas, incluindo tratamento farmacológico, se se justificar.
Referências
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- Keszthelyi, D., 2023. How to address work impairment in patients with disorders of the gut–brain interaction?. United European Gastroenterology Journal, 11, pp. 499 – 500. https://doi.org/10.1002/ueg2.12429.
- Pennaneach, C., Gibson, R., Clark, A., Bonham, M., & Biesiekierski, J., 2025. Gastrointestinal symptom prevalence and severity among night shift workers: a cross-sectional study. Proceedings of the Nutrition Society, 84. https://doi.org/10.1017/s0029665125001053.
